Sinopse: Diagnosticada com a síndrome do pânico, tudo o que Marina deseja é encontrar um lugar confortável neste mundo. Numa narrativa em primeira pessoa, detalhada e realista, Marina nos expõe sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, religiosa e familiar. Psiquiatras e psicólogos fazem os papéis de heróis neste livro tão impactante quanto revelador, que tem suas partes de amizade e amor ao próximo. Como não se emocionar com Péqui ou não se apegar ao veterano de guerra que cuida de Marina? A agorafobia é outro tema abordado de maneira tocante nestas memórias. Um drama original, escri- to em linguagem incrivelmente acessível, para quem deseja conhecer a síndrome do pânico, seus possíveis desdobramentos em nossas vidas e aqueles tratamentos mais famosos. Um romance moderníssimo, humano e esclarecedor. Primeiro Capítulo.

Ficha Técnica

A Garota que tinha Medo - Breno Melo - #Resenha | OBLOGDAMARI.COMTitulo Nacional: A Garota que tinha Medo – Skoob

Titulo Original: A Garota que tinha Medo

Autor(es): Breno Melo

Tradução: Livro Nacional

Editora: Schoba

Ano: 2013

ISBN: 978-85-8013-279-3

Número de páginas: 249

Sobre o Autor

A Garota que tinha Medo - Breno Melo - #Resenha | OBLOGDAMARI.COMBreno Melo nasceu em 1980, na cidade do Rio de Janeiro. Foi indicado para Poeta do Ano pela Sociedade Internacional de Poetas mais de uma vez, em 2002, 2003 e 2004. Participou da antologia “The Best Poems and Poets of 2003”, com o poema “Hazel Eyes”, e da anto- logia “The Best Poems and Poets of 2004”, com a composição “That Girl”. Também foi selecionado para “The International Who’s Who in Poetry”, incrível obra mundial que conta com participantes de vinte e cinco nações ao redor do globo e reúne, segundo a Sociedade, os poetas mais interessan- tes encontrados ao longo dos catorze anos anteriores. A garota que tinha medo foi inspirada nos poemas de Martim Codax e na simbologia deles.

Opinião da Nathy

Quando peguei esse livro fiquei com receio porque já tinha lido outros livros abordando a síndrome do pânico, mas de uma forma tão técnica que a leitura se arrastava demais. Com esse a experiência foi muito diferente e bem melhor, na mesma tarde em que comecei consegui finalizar. Os termos abordados pelo autor são facilmente entendidos e explicados para aqueles que nunca ouviram falar do assunto e como pode interferir na vida das pessoas. Quem já sofreu desse mal ou ainda sofre conseguirá se identificar facilmente com tudo que Marina vivencia e a forma como consegue lutar contra.

Com a narrativa em primeira pessoa o leitor entra no mundo de Marina, uma menina que quando começou a ter os sintomas tinha apenas dezoito anos, um período de grandes mudanças e pressões. Tudo porque sua mãe ainda que não perceba não deixa de fazer uma pressão para a menina passar em seis universidades, ou seja, tudo que ela quer que faça é estudar e ter um ótimo futuro. Além de a leitura fluir pelos temas, gostei da forma que o autor encontrou para mostrar como esse mal pode prejudicar a pessoa que sofre disso e como outras não conseguem compreender o que passa com a pessoa. Ainda que os relatos sejam fictícios, todos os sentimentos de Marina pareceram bem reais, justamente por ja ter vivenciado isso de muito perto.

Me chame de Marina. Tenho vinte e cinco anos e sofro de síndrome do pânico desde os dezoito. Tenho ataques de pânico que podem acontecer a qualquer momento. Inclusive agora, enquanto escrevo.

A Marina é uma personagem que a cada página vai se tornando mais real até se tornar uma parte da pessoa que está lendo. Teve diversos momentos nas quais me identifiquei com a menina ao ponto que parava a leitura e mostrava para a Mari, parecia que muita das coisas relata tinham sido retiradas da minha própria história, isso foi algo que me fez gostar demais poder ter tanta proximidade com a personagem. Ao ingressar na faculdade a menina toma atitudes que não são legais e de forma alguma agiria do mesmo jeito, mas foi compreensível, pois ela parecia bastante perdida ainda mais sobre o que estava acontecendo em seu corpo e porque disso tudo.

Para uma menina que foi criada de uma forma muito presa a religião é bem difícil de se desprender disso e entender que nada que acontece na nossa vida é um castigo vindo de Deus. Eu amei a forma como o autor colocou Deus na jornada de Marina e as explicações para muitas pessoas que não acreditam em sua existência ou na fé dos outros. Pois, a maioria das pessoas acredita que somente porque acredita na existência de Deus temos que abandonar as práticas médicas, por isso a introdução do psicólogo e psiquiatra foi excelente mostrando que esses dois lados podem coexistir. Também o fato da terapia utilizada foi da cognitivo-comportamental ajudou ainda mais que gostasse do livro, pois é a linha que sigo na psicologia das quais muitos não acreditam em sua funcionalidade.

‘A Deus rezando e com a lança pelejando’. Reze a Deus pelo sue bem-estar, sendo humilde e tendo paciência, mas não deixe de procurar ajuda médica e de se empenhar em seu tratamento. Além do mais, como sacerdote, o que eu poderia fazer por sua saúde mental? Me formei em Filosofia e Teologia, não em Medicina!

O outro lado também é das pessoas ao redor que não sabem como lidar com esse tipo de síndrome. Os pais dela não tinham nenhuma estrutura ou entendimento do que estava acontecendo ou do porque de ela estar sentindo todas essas coisas. Seu pai teve uma atitude que foi muito real, como de muitos pais, no primeiro sinal de melhora dela com a terapia acreditava que já estava completamente curada e não que havia vencido somente a primeira etapa. Já seu irmão não parava de zombar de algo que era muito mais grave, mas que parecia não entender ou não queria.

Isso também aconteceu com o namorado de Marina, um rapaz chamado Júlio que tinha tudo para ter sido o homem ideal, mas no primeiro sinal de que algo não estava certo com a menina passou a se afastar e colocar a culpa na mesma. Teve atitudes de um rapaz que não ligava nada para os sentimentos dela, somente se importava consigo mesmo e com a satisfação de seus prazeres, além de tudo não soube como enfrentar o relacionamento dela como um homem de verdade, foi um covarde que na verdade não me surpreendeu porque desde o começo soou muito falso com ela.

Júlio me enviava mensagens. Minha caixa de correio ficava repleta de e-mails tão adocicados que matariam um diabético; e meu celular recebia torpedos igualmente açucarados. 

Quando se entra na faculdade acaba por fazer diversas amizades e dentre elas nem sempre boas, como no caso de Joana, ela queria aproveitar ao máximo sua vida na universidade e nem ligava para o que sua amiga estava passando, deixando claro que não era amiga mesmo. Enquanto Maitê continuava insistindo e tentando estar presente naquilo que Marina precisasse, nesse momento de dificuldade é quando mais está se precisando ser acolhida e de ajuda. Por isso fiquei encantada com Péqui melhor amiga de Marina e que não desistia dela por nada, fiquei muito triste mesmo pela sua história e quase fui às lágrimas, mas certas coisas acontecem sem ninguém poder prever.

Por fim, Davi e Sarah fazem uma aparição excelente no livro. Sarah como uma menina que sofreu desse mal e que ainda está na luta contra tudo aquilo e aprendeu a contar consigo mesma e querer um amor verdadeiro, pois seu noivo a abandonou quando teve seus ataques. Enquanto, Davi é seu irmão que esteve ao seu lado e aprendendo como agir durante um ataque de pânico, no começo era exatamente como os pais de Marina, porém teve o desejo de aprender para poder ajudar de verdade, um amor de homem e sua atuação foi além do esperado por mim.

Quando meu ataque atingiu o auge, Davi já havia dito todos os trechos que sabia de memória. Foi quando ele começou a repeti-los.

Se você tem curiosidade para saber mais sobre essa síndrome ou tiver o primeiro contato com um livro que aborde de forma clara o assunto, recomendo demais a sua leitura, pois irá abrir novos horizontes. Quero muito ler outros livros desse autor se continuar nessa mesma linha.

Quote Favorito

A Garota que tinha Medo - Breno Melo - #Resenha | OBLOGDAMARI.COM

Capa e Diagramação

A Garota que tinha Medo - Breno Melo - #Resenha | OBLOGDAMARI.COMAinda que eu goste de capas com casais nas capas ou de alguma paisagem, essa capa me conquistou completamente com a menina com a cabeça abaixada parecendo em um verdadeiro sofrimento, junto com várias cores que preenchem seu mundo. Na diagramação, cada capítulo inicia em uma nova página e alguns trechos estão em itálico, assim como parte dos pensamentos de Marina acabam ficando entre parênteses. Também tem uma divisão nas fases da vida de Marina.

Nota da Nathy

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“O livro é uma cortesia da Editora Schoba. A resenha realizada aponta os pontos positivos e\ou negativos de forma sincera, encontrados pela autora do post durante a leitura do livro. A opinião da autora é pessoal e independente da editora.”